A menopausa é marcada pela cessação da menstruação e perda da fertilidade. As alterações associadas à perimenopausa e à menopausa ocorrem quando a função ovariana diminui, o que inclui a cessação da maturação dos óvulos (oócitos) e da secreção de hormônios sexuais (estrogênio, progesterona e hormônio antimülleriano (AMH)).
A menopausa natural é definida como a ausência de menstruação por mais de um ano. A menopausa pode ocorrer repentinamente, com a cessação abrupta da menstruação, ou pode ser gradual. Está associada a níveis elevados do hormônio folículo-estimulante (FSH).
A menopausa precoce é definida como a menopausa a partir de 40 anos e antes dos 45 anos. A perimenopausa (Transição Menopáusica) é uma fase em que a função ovariana diminui e as concentrações de estrogênio diminuem. Frequentemente está associada ao início dos sintomas e pode durar de 2 a 4 anos. Termina 1 ano após a menopausa.
A Insuficiência Ovariana Prematura (IOP) é a amenorreia ou ciclo menstrual irregular por 4 a 6 meses, em combinação com baixo nível de estradiol e níveis elevados de gonadotrofinas, antes dos 40 anos de idade.
SINTOMAS DA MENOPAUSA
• Base fisiológica: há receptores de estrogênio em múltiplos tecidos → queda hormonal impacta diversos sistemas.
• Ciclo menstrual: irregularidade e cessação são as primeiras manifestações.
• Sintomas vasomotores: ondas de calor, sudorese noturna, palpitações.
• Sintomas musculoesqueléticos: dores articulares, fadiga, cefaleia, enxaqueca.
• Sintomas urogenitais: secura vaginal, dispareunia, alterações urinárias.
• Sintomas psicológicos: humor deprimido, ansiedade, irritabilidade, dificuldades de memória e concentração.
• Sono: insônia e privação de sono → fadiga e déficit cognitivo secundários.
• Impacto sistêmico: estrogênio influencia ossos e sistema cardiovascular.
• Riscos pós-menopausa: osteoporose, doenças cardiovasculares, alterações vaginais e urinárias.
RESUMO DAS RECOMENDAÇÕES DA DIRETRIZ DE PRÁTICA CLÍNICA DA SOCIEDADE EUROPEIA DE ENDOCRINOLOGIA PARA AVALIAÇÃO CLÍNICA E DIAGNÓSTICA DA MENOPAUSA E PERIMENOPAUSA E CONTRIBUIÇÕES DO LABORATÓRIO CLÍNICO
1 – A menopausa deve ser considerada como um espectro, incluindo a perimenopausa e a pós-menopausa.
2 – A perimenopausa deve ser considerada quando houver irregularidade menstrual e/ou sintomas vasomotores, mesmo em mulheres mais jovens (de 40 a menos de 45 anos). A irregularidade menstrual é descrita pelos critérios STRAW (figura) e se caracteriza por um ciclo menstrual superior a 21-35 dias, podendo variar de mês para mês. No entanto, a duração do ciclo pode diminuir nos últimos anos da fase reprodutiva.
3 – A insuficiência ovariana prematura (IOP) deve ser considerada em mulheres com menos de 40 anos de idade na presença de irregularidade menstrual e/ou subfertilidade e/ou sintomas vasomotores.
4 – Exames não são necessários para o diagnóstico ou tratamento da (peri)menopausa em mulheres com mais de 45 anos.
5 – Recomenda-se a realização de exames para detecção de insuficiência ovariana prematura (IOP) em mulheres com menos de 40 anos que apresentem irregularidade menstrual, subfertilidade ou sintomas vasomotores. Em mulheres entre 40 e 45 anos, os exames também podem ser considerados para investigação de perimenopausa ou menopausa.
6 – Quando se opta por exames laboratoriais para avaliar a perimenopausa, sugere-se a dosagem do FSH entre o 2º e o 5º dia do ciclo menstrual ou após mais de 40 dias sem menstruação. Os níveis de FSH variam ao longo do ciclo, sendo mais baixos no início da fase folicular e atingindo cerca de 20 UI/L na ovulação. Valores de FSH > 25 UI/L no início da fase folicular ou em mulheres com amenorreia/oligomenorreia sugerem perimenopausa, embora não exista um ponto de corte definitivo.
Por isso, recomenda-se a dosagem concomitante de estradiol para interpretação adequada. Níveis baixos de AMH e estradiol, associados a FSH elevado, reforçam a hipótese de perimenopausa, ainda que não sejam diagnósticos. Devido à flutuação do FSH, pode ser necessária uma segunda dosagem após 4 a 6 semanas, especialmente em mulheres com risco de gravidez.
7 – Em mulheres em idade reprodutiva com alterações do ciclo menstrual ou sintomas semelhantes aos da menopausa, devem ser considerados diagnósticos diferenciais que podem exigir exames complementares. A gravidez deve ser descartada em casos de amenorreia. Alterações da tireoide (hiper / hipotireoidismo) e hiperprolactinemia podem causar irregularidades menstruais. A amenorreia hipotalâmica funcional (AHF), responsável por cerca de um terço dos casos de amenorreia secundária, geralmente decorre de estresse psicossocial, excesso de atividade física ou transtornos alimentares. É caracterizada por pelo menos três meses de amenorreia, níveis baixos de estradiol, LH e FSH, relação LH/FSH normal ou baixa e testosterona reduzida. Já a síndrome dos ovários policísticos (SOP) costuma apresentar relação LH/FSH aumentada e níveis elevados de testosterona. A dosagem de AMH auxilia na diferenciação da SOP de outras causas de oligo ou amenorreia.
8 – Todas as mulheres com diagnóstico de IOP devem ser encaminhadas a um especialista e, idealmente, a uma equipe multidisciplinar. O diagnóstico precoce é essencial para iniciar o tratamento adequado. O regime de terapia de reposição hormonal (TRH) deve ser individualizado conforme histórico clínico e comorbidades. Apesar de ciclos ovulatórios ocorrerem em até 25% das mulheres, a chance de gravidez espontânea é baixa (1% a 10%). Mulheres que não desejam engravidar devem utilizar contraceptivos, pois a TRH não tem efeito contraceptivo.
9 – Mulheres em perimenopausa com menos de 40 anos e contraindicações à terapia hormonal devem ser encaminhadas a unidades especializadas no manejo desses casos. Isso inclui pacientes com histórico ou alto risco de câncer hormônio-dependente, risco trombótico ou cardiovascular elevado, resposta inadequada à TRH ou efeitos adversos significativos. O acompanhamento deve apoiar a tomada de decisão personalizada sobre o manejo da menopausa.
Edição 05. Maio/2026. Assessoria Científica – Lab Rede
Referências: 1. European Journal of Endocrinology, 2025, 193, G49–G81 https://doi.org/10.1093/ejendo/lvaf206
2. Human Reproduction 2002;17(4):926-8. DOI:10.1093/humrep/17.4.926