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23 de junho de 2015

Diagnóstico da Hipovitaminose D


     Com o objetivo de atualização, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) elaborou recomendações baseadas nas mais recentes evidências científicas. A seguir, serão apresentadas as recomendações para o diagnóstico.

     A Hipovitaminose D é bastante frequente em nosso país. A vitamina D é essencial ao metabolismo ósseo, porém parece também estar relacionada à fisiopatogênese de diversas doenças. Em crianças, a deficiência de vitamina D leva ao retardo do crescimento e ao raquitismo. Em adultos, leva à osteomalácia, hiperparatireoidismo secundário e, consequentemente, ao aumento da reabsorção óssea, perda de massa óssea e desenvolvimento de osteopenia e osteoporose. Fraqueza muscular também pode ocorrer.

Fatores de Risco para Hipovitaminose D
  • Idosos
  • Histórias de quedas e fraturas
  • Obesos
  • Grávidas e lactentes
  • Medicamentos que interfiram no metabolismo da vitamina D (glicocorticoides, anticonvulsivantes, antifúngicos)
  • Portadores de síndromes de má-absorção
  • Hiperparatireoidismo primário
  • Insuficiência renal ou hepática
  • Doenças granulomatosas
  • Linfomas

ossos



     Embora seja denominada vitamina, conceitualmente se trata de um pré-hormônio. Juntamente com o paratormônio (PTH), atua como regulador da homeostase do cálcio e do metabolismo ósseo. Obtida de fontes alimentares como óleo de fígado de bacalhau e peixes gordurosos (salmão, atum, cavala), ou por meio da síntese cutânea endógena, que representa a principal fonte. Pode ser encontrada sob as formas de ergocalciferol ou vitamina D2 e de colecalciferol ou D3. A vitamina D2 também pode ser obtida a partir de leveduras e plantas, sendo produzida para uso comercial, por meio da irradiação do ergosterol.

     Na pele, o precursor é o 7-de-hidrocolesterol, que, por ação dos raios UVB sofre fragmentação originando pré-colecalciferol, esse intermediário, por isomerização, é convertido em vitamina D (colecalciferol), que é transportado ao fígado pelo DBP (proteína ligadora da vitamina D) onde ocorre uma hidroxilação do carbono 25, com formação da 25 hidroxivitamina D (25(OH)D), por sua vez transportada aos rins pela DBP onde é convertida a calcitriol ou 1,25 diidroxivitamina D (1,25(OH)2D), metabólito mais ativo e responsável por estimular a absorção de cálcio e fosfato pelo intestino.

     No rim, a hidroxilação é estimulada pelo PTH e suprimida pelo fósforo e também regulada por retrorregulação, de modo a influenciar sua própria síntese por diminuição da atividade da 1 alfa hidroxilase, que pode ser encontrada em outros tecidos como pele, próstata, mama, intestino, pulmão, célula beta pancreática, monócito e paratiroide.

     Os principais órgãosalvo da vitamina D são o intestino, o osso, as glândulas paratiroides e rins, entretanto, a presença de seus receptores foi demonstrada em vários outros tecidos.

     As fontes de vitamina D alimentares são escassas e os seres humanos dependem principalmente da produção cutânea catalisada pelos raios UVB solares. A vitamina D ativa modula a síntese de PTH, aumenta a absorção de cálcio pelo intestino e está relacionada a melhor massa óssea e função muscular.

Recomendações

  1. A determinação do metabólito 25 hidroxivitamina D (25(OH)D) deve ser utilizada para a avaliação do status de vitamina D de um indivíduo;

  2. Concentrações de 25(OH)D acima de 30ng/mL são desejáveis e devem ser as metas para populações de maior risco, pois acima dessas concentrações, os benefícios da vitamina D são mais evidentes, especialmente no que se refere a doenças osteometabólicas e redução de quedas;

  3. Os métodos baseados em cromatografia são considerados padrão-ouro para a avaliação laboratorial de 25(OH)D, porém métodos imunométricos automatizados podem ser utilizados na prática clínica, considerando-se a boa correlação com o método de excelência, além da praticidade e menor custo. Porém, o clínico deve estar ciente de possíveis falhas ocasionadas pelos diversos interferentes do método;

  4. Não está recomendada a mensuração da 25(OH)D para a população geral. A avaliação está recomendada na suspeita de deficiência para indivíduos pertencentes a população de risco ou naqueles para cuja situação clínica seja relevante;

  5. Não se indica suplementação generalizada de vitamina D para toda a população. Os benefícios do tratamento com vitamina D são mais evidentes especialmente nas populações com risco para deficiência.

Assessoria Científica Labrede

Referências:

Informativo Digital: Diagnóstico da Hipovitaminose D: Recomendações Atuais. Disponível em: http://www.labrede.com.br/ Acesso em: 23 de Junho de 2015.

Referência Bibliográfica: Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metababologia. 2014;58/5:411-433.