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27 de março de 2019

Dengue (DENV), Chikungunya (CHIKV) e Zika (ZIKV)



Apresentamos um algoritmo para detecção do ZIKV, segundo publicação da OPAS (Organização Pan Americana de Saúde) e OMS (Organização Mundial de Saúde).

Os arbovírus (de “arthropod borne vírus”) são vírus que podem ser transmitidos ao homem por vetores artrópodos e pertencem a três famílias, com várias patologias associadas, dentre estas as febres Chikungunya (Togavírus), Dengue e Zika (Flavivírus).

O vetor das três doenças febris, dengue, chikungunya e zika é o mosquito do gênero Aedes e é a forma mais importante de transmissão. Desde maio de 2015 tem sido descritos os casos suspeitos de circulação de ZIKV, com outras possibilidades de transmissão e uma associação com registros de microcefalia, principalmente no nordeste do país. Portanto, trata-se de uma grave situação de saúde pública.

O entendimento do progresso diagnóstico é importante, uma vez que as três doenças possuem algumas características clínicas em comum, como se vê no quadro abaixo. Neste quadro adaptado, inclui-se o sarampo, por ser uma doença exantemática, assim como as demais, especialmente a zika.

DENGUE, CHIKUNGUNYA, ZIKA E SARAMPO:

PRESENÇA E FREQUÊNCIA DOS PRINCIPAIS SINAIS/SINTOMAS

CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS

DENGUE

CHIKUNGUNYA ZIKA

SARAMPO

Febre

*****

**** *

****

Exantema maculopapular

**

** ****

*****

Hiperamia conjutival

*

* ****

*****

Mialgia/Artralgia

***

***** **

Ausente

Edema

Ausente

**** ***

Ausente

Dor retrorbital

*****

* **

Ausente

Linfadenopatia

*

** *

*

Tosse/corisa

Ausente

Ausente Ausente

***

Hemorragia

**

Ausente Ausente

Ausente

Hepatomegalia

**

*** Ausente

*

Leucopenia/trombocitopenia

***

***

Ausente

***

 

Alguns aspectos relevantes para o diagnóstico diferencial no laboratório, segundo o algoritmo publicado em 29 de junho de 2015 pelas OPAS e OMS, são:

  • A fase de coleta das amostras: Recomenda-se considerar como passo inicial a pesquisa da Dengue, seja por PCR, pesquisa do antígeno NS1 ou sorologia.
  • O isolamento do vírus não é uma possibilidade factível para uso em geral, ficando restrita aos laboratórios de referência.
  • Na fase aguda, há uma necessidade de se realizar teste de deteção antigênica por PCR-RT, ou outro método para detecção de NS1, para a dengue.
  • Se os testes na fase aguda são negativos, em seguida sugere-se a pesquisa para CHIKV e, se negativos, o ZIKV.
  • Os kits para detectar ZIKV por PCR-RT, quando disponíveis por metodologia “in house”, possuem diferentes protocolos (primers e probes). Notar que os mais sensíveis, segundo a publicação, são aqueles que utilizam o vírus completo como antígeno e não peptídeos ou proteínas recombinantes.

Os métodos sorológicos variam em sensibilidade e especificidade. Na fase de convalescência (ou seja acima de 5 dias de sintomas), as reações cruzadas em locais onde a dengue é também endêmica podem ocasionar um número muito elevado de falso positivos. Portanto, não se pode descartar o ZIKV, sendo necessários outros testes para confirmar. Ainda na fase de convalescência, o achado de IgM positivo para CHIKV toma presuntivo o diagnóstico. Mas, diante da hipótese clínica, a ausência de sorologia positiva para DENV e CHIKV remete à realização de testes para ZIKV.

A partir de fevereiro de 2016 foram liberados pela Anvisa os produtos para detecção do vírus Zika por método sorológico e PCR. Os laboratórios estão aptos a oferecer os testes.

À medida que surgem novos conhecimentos e possibilidades diagnósticas, as recomendações podem se modificar.

 

Referências

  1. WWW.paho.org – Zika Vírus Infection – PAHO/WHO
  2. HTTP://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf-29/05/2015 – Situação Atual de Chikungunya e Zika Vírus